Todos que lêem meus posts sabem que não sou de postar duas vezes na mesma data, mas já que está fluindo, aí vai... E me precipitando, não, não é uma crônica propriamente dita. São reflexões acerca do nada.
A gente vive como pode. Faz o que acha que deve ser feito dentro dos padrões que consideramos aceitáveis e passa de dia em dia tentando enfrentar os dragões, situações e tudo que o cotidiando nos apresenta. Luta com as mazelas nerentes ao nosso caminho e tenta de todas as maneiras possíveis e imagináveis vencer da melhor forma possível o que dentro do coração se considera o bom combate...
Você chega em sua casa, seu lugar sagrado, despe-se de suas armaduras e se olha no espelho. Sim, você é um gladiador e se sente orgulhoso de si mesmo porque sobreviveu a mais um dia dentro da arena de guerra que é sua vida. Mas porque não está sorrindo? Porque seu corpo dói, seus múscukos reclamam, sua mente não processa a vitória?
E você descobre que não é o que faz. Você é um indivíduo, com erros, acertos, vitórias e perdas. Você é aquele que habita quando tudo ao redor está escuro demais para distinguir entre razão e loucura. Você é o que habita quando precisa tomar uma decisão que afeta a vida de outrem. Você é o que habita quando seu coracão de despedaça e quando tudo que você queria era que pudesse não ser o responsável por ferir aquele(a) que um dia foi o mundo pra você.
Cara, isso é foda, isso dói pra caralho.
As lágrimas descem amargas sem cessar de seus olhos e tudo no que você consegue pensar é em como Deus em toda sua sabedoria aguenta um dia neste cargo de merda. Porque é muito dificil ser a sentenca pra alguém.
Neste momento você coloca a cabeça entre as mãos e sua vida passa diante de seus olhos como um filme mal rodado de tudo que poderia ter evitado, da dor que poderia ter amenizado e que seu egoísmo ignorou. Você vê rostos que adorava borrados de lágrimas, vê pessoas que te amavam reduzidas a um mero excluir de nomes no telefone. Puxa vida, isso é punk! Seu corpo treme. Você precisa beber, precisa se entorpecer, mas a dor é tão intensa que por um milésimo de segundo, você se esquece de quem é.
E a porra da luz, essa " fdp" que não te deixa em paz, te faz martelar excessivas vezes no cérebro sua sentença, o quanto foi injusto, egoista, interesseiro... Mas também mostra o quanto você tentou ser bom, compreensivo, caridoso. E a luz aumenta a ponto de te deixar cego.
Neste momento fulgaz de lucidez, você percebe que todo o mal que causou teve um propósito, você se flagela, mas todos a seu redor evoluem. Com tudo de bom e de ruim que aprenderam com você. E depois vem o vazio. Você ensinou, aprendeu tanto e ainda assim continua sozinho.
Ok. Você ergue o queixo, encara a si próprio e aceita seu destino. É isso o que você é. E isso nunca, em hipótese nenhuma, deve ser esquecido ou negligenciado.
Você lava o rosto, deita-se e cuidadosamente elabora seu dia seguinte. Você é um gladiador. Sem dor, remorso ou glória.
E tudo que você faz ecoa na eterniadade.
Jeito triste, único, exclusivo e nobre de morrer. Será que está mesmo morto?
Mistério...
Aaaaaah, sempre cimento mas esse me deixou sem palavras... É o que eu precisava ler hoje, precisava meditar...
ResponderExcluirPropriamente morta ou literalmente?
#Olhossuados