Ah, o improviso...
Inconsequente, mexe com a gente, estimula a mente e acontece inesperadamente...
Rimas á parte, aconteceu recentemente uma dessas situações de improviso com uma colega de trabalho minha, que creio ilustrar satisfatóriamente minha idéia do que o bom - Nem tão bom ás vezes - e velho improviso pode salvar nossa pele, ou no caso específico em questão, a noite da minha coleguinha...
Estava ela, ansiosa pela sua noite de sexta, onde uma cantora em ascenção se apresentaria num clube aqui do Rio, quando a faxina de São Pedro atrapalhou seus planos... Indignada, - Não com o guardião dos portões do Céu, afinal ela sabe que Sexta-feira é dia de limpeza e ultimamente muita água cai lá de cima - e sim com suas colegas que furaram o programa, resolveu aninhar-se em sua estreita caminha e rezar que a luz não acabasse para terminar sua tão sonhada madrugada assistindo ao menos um filme mal dublado e repletos de comerciais. (Não sei se ela tem TV a cabo). Um outro colega com o qual ela havia combinado de encontrar no tal show, comete a infelicidade de ligar para saber o motivo de seu atraso. Consternada, por estar presa entre quatro paredes, ouvindo ecos do que parecia ser uma festa bombada, desligou. Mas a vontade de ver de perto dua cantora favorita do momento, a fez discar desesperadamente para alguém, qualquer colega que lhe desse o incentivo microscópico que fosse, para que a tal magia que estou tentando descrever nas mal traçadas linhas (que frase piegas) acontecesse...
Tomou um banho de Xaco-xaco e enfiou-se num táxi, contando a duras penas o rico dinheirinho de seu adiantamento. No meio do caminho, uma outra ligação frenética a fez praticamente avançar no taxista, achando que as esburacadas ruas de nossa cidade maravilhosa fossem pistas de fórmula 1... É claro que dentro de todo motorista existe um Rubinho, ou qualquer outro e o moço não se fez de rogado... Vinte minutos depois, uma ofegante mocinha, com a saia esvoaçante, chegou junto á bilheteria, com o dinheiro contado da entrada amassado na mão... Mas chegou tarde demais. Os portões ja haviam sido fechados, os bilheteiros haviam sumido, o taxista havia voltado em busca de outras corridas e nossa colega viu-se só, á beira de um ataque de nervos.
O colega de alma caridosa, percebendo o desespero da amiga, apelou para a magia do improviso, que no fim das contas não havia se evaporado... Simulou um ataque de histeria e praticamente fez um dos produtores do evento de refém, conseguindo salvar a noite, ou o que restava da madrugada já que o show já havia começado a um tempo, de nossa amiga, que enfim realizou o sonhe de poder ver de perto sua cantora e ter seu autógrafo num pedaço de guardanapo usado. (Entrando sorrateiramente pelos fundos...)
MORAL DA HISTÓRIA: Mai vale um amigo que improvisa nas mãos, do que duas amigas que furam o encontro voando...