quinta-feira, 21 de julho de 2016

O silêncio e suas peculiaridades

"Não é a distância que afasta as pessoas, é o silêncio"...

 Li esta frase em algum lugar e até a colei no mural do WhatsApp, mas hj me peguei refletindo sobre ela e as muitas possibilidades que nela contém. Cheguei a uma irrefutável conclusão e vcs hão de concordar comigo nisso: As interpretações são infinitas e dependerá única e exclusivamente da mente, momento e sentimento de quem a lê. Como a famosa analogia do copo meio cheio/meio vazio. Nossas mentes e seus labirintos vão nos levar a possibilidades pessoais partindo do principio próprio de cada um e não vamos discutir um aspecto certo ou errado, pq não existe.
 O que quero demonstrar aqui é que o silêncio pode significar uma infinidade de atitudes e quem diria, algo tão sucinto e até mesmo descrito como indiferença, pode ser uma ação mais forte que qualquer tsunami emocional, pq pra se manter o silêncio sobre algo que nos machuca, fere, incomoda ou até alegra é um exercício master de autocontrole. Pq o silêncio por si só abre portas, janelas e túneis impenetráveis na mente de quem recebe esta resposta pra lá de ambígua. Pq nesta empreitada não existe dica. O danado é amplo, vago e traicoeiro. 
 Divagações á parte, quero escrever sobre um tipo de silêncio em particular. O silêncio da aceitação, da espera pelo precioso e sábio tempo, que sempre nos dá aquela resposta inteligentíssima quando temos a boa presença de espírito de aguardar o "mestre" se manifestar. Quase que como esperar o saudoso Yoda terminar suas charadas... 
 O silêncio ao qual me refiro, usando português claro, é o substituto perfeito para aquelas acusações que não fizemos sobre ter nos sentido usados, manipulados, para os choros de saudade, para as vezes em que queríamos engolir o orgulho é mais uma vez insistir em pedir por amor, ignorando o fato conhecido por nós de que ele deve ser dado livremente, por todas as discussões que tivemos em pensamento no chuveiro, quando quisemos gritar e sair por cima, quando tivemos vontade de expulsar de nossas vidas uma pessoa que nunca esteve lá de verdade, quando esperamos aquela ligação, tivemos esperança. Me refiro ao silêncio que sustentamos apesar de todas essas tentações supracitadas, pq decidimos ser fiéis a nós. Preferimos amargar o silêncio na esperança de respostas que chegaram ou ainda não, mas que elucidarão todos os nossos anseios e quanto mais a gente se preserva neste silêncio amargo, como um mal necessário, se fortalece e compreende o todo da situação, que no afã do momento, a gente tende a ignorar.
 Optei pelo pivô deste post numa determinada situação que não vou citar - pq trata-se de uma crônica e não um livro - e tive minha resposta da forma mais bizarra e inesperada possível, posso citar que voltei algumas casas no tabuleiro da minha caminhada, mas que através desse retrocesso pude compreender o que deixei pra trás, pegar de volta e seguir em frente e hj a sensação de todas as noites em claro, choros e porres é liberdade, pq foi o incompreendido silêncio que me guiou até esta constatação e á ele agradeço e presto esta sutil homenagem. Através dele eu aprendi na totalidade moral, sentimental, espiritual e intelectual a máxima: "Deus nos deu dois ouvidos e uma boca - Use-a com sabedoria".
 

sábado, 16 de julho de 2016

Melhor eu ir - reflexão inusitada

 Olá, queridos leitores!

 Sei que ando sumida, que poderia estar postando mais, que deveria dar explicações e blá blá blá, mas como todos que me lêem tb têm vida, então, vamos pular as formalidades sociais e ir direto ao que interessa. E diga-se de passagem, no mínimo, que a crônica de hj está pra lá de inusitada, visto que esta aqui que vos escreve é roqueira de carteirinha...
 A questão é que recebi de uma pessoa que possui grande estima no meu conceito exigente e restrito na minha pastinha interna de pessoas dignas de admiração e por quem tenho bastante consideração e respeito, uma música de pagode cuja letra no mínimo, dá o que pensar em uma estrofe ou outra... Calmaaaa, povo! Eu explico, mas foi isso mesmo que escrevi: PAGODE. Mas o intérprete é bom e isso já vale o post.
 O espantoso fato é que toda a letra me chamou bastante atenção, por ser leve, intensa e sincera ao mesmo tempo pq o cara admite o erro/engano de projetar seus anseios em outrem e o mais admirável é que em momento nenhum da música que traz consigo uma melancolia consciente e livre de culpa, ele citou a/o provável candidato fracassado á parceira(o) como pivô do término da relação. O que me fez gostar - e muito - foi exatamente a nuance sutil e adulta de uma reflexão de que nem sempre a gente está em sintonia com o outro em termos de expectativa. Pode haver engano sim, pode haver desejos e sentimentos diferentes sem que isso transforme uma parte ou outra no bicho papão do armário de nossos corações.
 Pessoas entram, saem ou ficam em nossas vidas por diversos motivos que ainda somos muito pequeninos pra entender, mas o grande lance é aceitar o término do ciclo e seguir em frente pq recomeçar independe de credo, religião, idade, cor ou status social. O Pericles me deu um tapa com uma luva de pelica da humildade pra me mostrar que emotivo ou não, todos temos nossos anseios e se não der certo, meu chapa, chore e sofra, mas nunca, jamais, de forma alguma, se martirize. Tendo parcela grande, pequena ou neutra num término, saia na boa e de cabeça erguida, pq não se trata de exclusividade aqui, cada um tem seu sofrimento. Vamos respeitar e viver, mas depois avaliemos e se for com a maturidade que a letra demonstra, melhor ainda.