Eu NUNCA fui uma garota apegada a bens materiais... Nunca me incomodei de não ter casa própria, carro, moto, celular caro, pois para mim, bastava funcionar, roupas caras, perfumes e cosméticos importados (mentira esses dois últimos, sou meio vaidosa, mas qual moça não é?), bicicleta, até porque nem sei andar de... rs Nem suspirei pelos namorados lindos, altos e sarados que minhas colegas de colégio arranjavam enquanto cabulavam aula e eu, NERD até o último fio de raiz de meus cabelos estudava sem descanso e as crucificava depois, fazendo sinal da cruz e tudo, no auge da minha peculiar tendência ao exagero. Vivi razoavelmente bem, desapegada a tudo que não fosse amizade, bate-papo com amigos, conversas na madrugada, minha família que eu amo muito e meu trabalho que como todo amante axigente, toma a maior parte de meu tempo e energia...
Mas eu cresci, fiz uma idade que não convém citar porque NÃO SE PERGUNTA A IDADE DE UMA DAMA recentemente e meu informatizado, antenado, cibernético e atualizado namorado me presenteou com um NETBOOK vermelho, minha cor favorita, moderníssimo, delicado, lindo e de última geração... A princípio eu olhei para o belíssimo trabalho de engenharia, nas linhas perfeitas, nos lindos botões e depois gritei feito uma louca (A tal tendência citada acima deve ser genética, pois nunca consegui me livrar dela), agarrei-o e agradeci... Teclei de tudo nele, baixei meus livros e passei boa parte de minha tarde de aniversário admirando meu mais novo "filhote", dormindo na madrugada com meu presente eletrônico na mesa de cabeceira...
Hoje, depois que eu fiz o almoço ( modéstia parte, eu cozinho bem), fui mexer no meu mais novo brinquedo... Aí percebi que faltava ALGO... Onde estavam minhas quase mil músicas, acumuladas em anos de pesquisas, separadas por pastas tipo NAMORAR, ESCREVER, LER, MOMENTO EMO??? Meu coração apertou-se no peito e eu olhei para o meu namorado, deitado ao lado, estudando no Notebook dele, alheio ao meu sofrimento...
- O que vou fazer agora? - Quis saber num fio de voz.
- Com o que? - Ele quis saber, sem desgrudar os olhos do trabalho da faculdade.
- Minhas músicas! - Eu gritei, como se ele tivesse acabado de me mandar ir para "aquele lugar".
- Passe para o Pen drive e depois a jogue no Net. - Ele respondeu como se eu tivesse acabado de perguntar as horas.
- Mas e as pastas que estão no Media Player, minha seleção ordenada cuidadosamente de acordo com cada minuto, cada suspiro, cada linha a ler?
- Refaça, ué. - Ele deu por encerrada a discussão e voltou ao mundo das leis e eu, fiquei ali, prostrada, o suor escorrendo no rosto porque estava um calor do C..., alternando meus olhos do Net para o Desktop, do Net para O Desk e depois de momentos intermináveis do mais puro dissabor, sabem o que eu percebi???
Que meu lindo, bem feito, moderníssimo e chiquerrésimo Netbook NÃO era meu Desk muito bom, preto básico e humilde, jogado num canto, desligado e ignorado por um fim de semana inteiro... E que pela primeira vez na vida, eu quebrei uma regra que adotei para minha vida: NÃO SUBESTIME O PODER DAS PESSOAS, POIS ELAS PODEM SURPREENDER. Epa... O Desk é uma máquina, certo?
Meu Desk está comigo a tempo suficiente para carregar cada foto, cada música, cada programa, cada trabalho escolar e até aqui no blog, para ser considerando somente uma máquina. E isso complica ainda mais a trama, porque se eu não sou apegada a bens materiais, porque estou escrevendo sobre isso?
Porque descobri que numa relação as circunstâncias são a parcela mínima das consequências, enquanto as AÇÕES decorridas durante...
Aí, vocês me perguntam: - Você ainda acha seu Netbook o máximo?
Eu respondo: - Claro, ele é a última palavra em informatização, mas meu Desk continua no lugar cativo de sempre em meu coração. E não, não vou transferir nada para ele, pois eu tenho que aprender a respeitar as diferenças das pessoas sem fazer distinção ás suas habilidades atuais ou falta delas, porque um dia, meu Desk também foi um Net... E assim como eu finalmente compreendi, o ciclo teve sua queda, como na Roda da vida da qual escrevi na virada de mais um ano.
- Ei, Mona, um computador é uma máquina e você escreveu "... respeitar as diferenças das pessoas..." acima.
Calma, eu explico... Meu Desk não é uma pessoa, mas guarda carinhosamente todos os risos, gargalhadas, lágrimas, frustrações e o mais importante de tudo: Um pedaço MUITO IMPORTANTE de minha alma nele. E ele ou outro objeto que eu vier a ganhar e me apaixonar, não o substituirá, apenas dará continuidade ao meu desenvolvimento emocional, espiritual e acima de tudo, humano.
Tenham uma excelente noite de Domingo.
Esse é o espaço para quem gosta de se expressar livremente, jogar conversa fora, debater atualidades, falar mal da vida alheia, ler livros, filmes e seriados sem medo de ser feliz... Ou infeliz, dependendo do comentário (risos). Suas idéias e dicas serão muito bem-vindas, assim como você...
domingo, 27 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
VIAGEM EM ALTO-MAR
Pessoal, recentemente eu ganhei da minha empresa um viagem de quatro dias num cruzeiro... Comprei mala, biquinis, chinelos e embarquei animadérrima rumo ao alto-mar...
Não, gente, eu não enjoei... Bebi TODAS, comi mais ainda e me diverti... Percorri os onze andares do navio encantada com a decoração e tirei centenas de fotos... Dormi ás quatro da madrugada na primeira noite e acordei cedo na manhã seguinte ávida para me banhar na esplendorosa piscina do terraço. Passei uma tarde preguiçosa me embebedando e entupindo meu estômago dilatado, - porque a esta altura do campeonato eu já havia engordado dois quilos, no mínimo - e ouvindo velhos axés baianos... Á noite, fui ao restaurante mais chique do navio, comi aquelas comidas esquisitas que os ricos comem... No prato não servem o suficiente para alimentar nenhum pássaro de porte pequeno... Mas são tantos pratos, entrada, principal, intermediário, final, pasta, sopa, sobremesa... Que no fim das contas, acabam comendo como um búfalo raivoso... De onde tirei "Búfalo raivoso"? Enfim, depois de passar mais tempo procurando o talher certo que mastigando algo que eu realmente soubesse o que era, fui ver o mar noturno... Visitei cassinos, um programa de auditório horrendo oferecido pelo cassino e fui dormir... Na manhã seguinte: Surpresa! Eu já havia visto o navio INTEIRO e só me sobrara a academia... Que eu queria ignorar, pesada e de ressaca como estava! E sabem o que eu descobri????
Cruzeiros são maravilhosos! Nos dois primeiros dias... Se eu estivesse em uma pousada, hotel, pensão ou birosca, COM OS PÉS NO CHÃO, teria resolvido dar uma caminhada pela cidade, ver gente nova, experimentar culturas diferentes, fotografar novos horizontes... Mas no alto-mar a coisa é sempre a mesma... Uma gaiola de luxo para um minúsculo quintal...
Não que o mar gigantesco seja pequeno ou insignificante... Mas descobri que depois da novidade... Enfim, descobri que preciso de terra, concreto, tijolo e grama para ser feliz.
Os dispendiosos cruzeiros que não me ouçam, mas uma dose de terra é fundamental.
Não, gente, eu não enjoei... Bebi TODAS, comi mais ainda e me diverti... Percorri os onze andares do navio encantada com a decoração e tirei centenas de fotos... Dormi ás quatro da madrugada na primeira noite e acordei cedo na manhã seguinte ávida para me banhar na esplendorosa piscina do terraço. Passei uma tarde preguiçosa me embebedando e entupindo meu estômago dilatado, - porque a esta altura do campeonato eu já havia engordado dois quilos, no mínimo - e ouvindo velhos axés baianos... Á noite, fui ao restaurante mais chique do navio, comi aquelas comidas esquisitas que os ricos comem... No prato não servem o suficiente para alimentar nenhum pássaro de porte pequeno... Mas são tantos pratos, entrada, principal, intermediário, final, pasta, sopa, sobremesa... Que no fim das contas, acabam comendo como um búfalo raivoso... De onde tirei "Búfalo raivoso"? Enfim, depois de passar mais tempo procurando o talher certo que mastigando algo que eu realmente soubesse o que era, fui ver o mar noturno... Visitei cassinos, um programa de auditório horrendo oferecido pelo cassino e fui dormir... Na manhã seguinte: Surpresa! Eu já havia visto o navio INTEIRO e só me sobrara a academia... Que eu queria ignorar, pesada e de ressaca como estava! E sabem o que eu descobri????
Cruzeiros são maravilhosos! Nos dois primeiros dias... Se eu estivesse em uma pousada, hotel, pensão ou birosca, COM OS PÉS NO CHÃO, teria resolvido dar uma caminhada pela cidade, ver gente nova, experimentar culturas diferentes, fotografar novos horizontes... Mas no alto-mar a coisa é sempre a mesma... Uma gaiola de luxo para um minúsculo quintal...
Não que o mar gigantesco seja pequeno ou insignificante... Mas descobri que depois da novidade... Enfim, descobri que preciso de terra, concreto, tijolo e grama para ser feliz.
Os dispendiosos cruzeiros que não me ouçam, mas uma dose de terra é fundamental.
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