"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".
É com esta frase de Antoine de Saint-Exupéry que inicio o post de hoje... Quem foi este cara eu não sei, mas que ao recitar as palavras acima ele estava inspirado, não há como negar... Porque é isso mesmo. Sem tirar nem pôr, sem mais nem menos. O essencial a cada um de nós é invisível aos olhos... Que olhos?
Ah, não, esses não... Definitivamente não... Os OLHOS DA ALMA tudo enxergam.
Falo dos olhos mundanos, dos olhos superficiais, dos olhos subjetivos, que focalizam banalidades, aparências, etnias e vestimentas... Muitas vezes nossos olhos almejam cargos, altas posições, bens materiais e partimos "cegamente" em busca de simples subterfúgios que não nos garantem a felicidade plena da qual a frase acima fala... E vou mais além. Não existe felicidade PLENA. A gente nunca será completamente feliz porque somos insatisfeitos por natureza, mas alcançar um mínimo de paz e alegria interiores não dependem das roupas ou bens que possuimos. Independe do quanto se é ou não popular entre os amigos ou quantos amigos se tenha. Independe da classe social, cor e beleza. Existem anseios que só nosso coração conhece, só nosso íntimo sabe, tão "essenciais" e inúmeras vezes ofertado "de graça" pela vida... E por que não aproveitamos o que a vida nos dá tão generosamente?
Isso só você pode responder a si mesmo...
MAS, como estou didática hoje, vou tentar explicar minha concepção com uma historinha que ouvi recentemente no programa do Padre Marcelo:
"Certa vez, um menino catador de papel, realizando seu trabalho diário pelas ruas da cidade, chegou a um estabelecimento muito bonito e grande, repleto de pessoas bem vestidas e pensou consigo:
- Aqui deve haver muitas caixas vazias. Após o expediente voltarei para falar com o dono para pedi-las a fim de que possa vendê-las.
Quando o comércio fechou, o menino voltou à loja e viu um senhor muito alinhado na porta despedindo-se dos visitantes. Aproximando-se, disse:
- Senhor, posso falar com o dono da loja?
- Sou eu mesmo. O que você quer? - respondeu desconfiado o empresário.
- Gostaria de saber se o senhor poderia dar-me aquelas caixas para eu vendê-las.
O empresário, raivoso, enxotou o menino aos gritos, ameaçando chamar pela polícia, pois não tolerava pedintes em sua loja. O garoto apanhou seu carrinho de papel e saiu, resignado e muito triste.
Porém, alguns metros adiante, ouviu gemidos muito fortes vindos da loja. Correu até lá e encontrou o empresário caído no chão, acometido por um enfarto. O menino clamou por ajuda mas ninguém o escutou. Então, desocupou seu carrinho de papel e com muita dificuldade colocou o moribundo dentro. Correu até o hospital mais próximo e a vida do empresário foi salva.
Dias depois, o menino passava em frente à loja e o empresário foi ao seu encontro:
- Meu jovem, venha cá. Hoje quero que você vá até minha casa para eu lhe agradecer pelo que fez por mim.
O menino foi recebido com um grande banquete como gesto de agradecimento. Após a sobremesa, o empresário chamou-o até um galpão onde encontravam-se iates, carros importados e outras riquezas, todas embaladas em grandes caixas. Disse ao garoto:
- Escolha o que você quiser deste galpão.
- Qualquer coisa mesmo? – perguntou-lhe o menino.
- Sim.
O menino pensou, pensou e disse...
- Eu quero as caixas que estão envolvendo tudo o que está no barracão.
O empresário, não compreendendo, satisfez seu pedido. Passados dez anos, o empresário encontrou o menino, agora um jovem bem arrumado e aparentando estar muito bem de vida. O empresário, que ficara intrigado com o desejo do garoto na época, perguntou-lhe nesta oportunidade:
- Por que você não escolheu um iate ou carro ou outro objeto valioso?
O menino respondeu-lhe:
- Porque para a meta que eu havia traçado para a minha vida, as caixas garantiriam o meu futuro. Com elas paguei por meus estudos, tornei-me diretor da empresa de reciclagem na qual trabalhava e com o curso de engenharia que concluí, desenvolvi um projeto inovador na área que me proporcionou o sucesso.
A maior recompensa que podemos receber é o necessário para conquistarmos o sucesso na vida."
E sabem do que mais? O motivo da preferêcia do menino pelos papelões ao invés de um Iate que provavelmente poderia comprar-lhe uma casa e até mesmo custear seus estudos sem forçá-lo a trabalhar pode nos parecer loucura, insano e "invisível aos olhos", mas para ele foi essencial, porque ele apenas estava SEGUINDO O SEU PRÓPRIO CORAÇÃO.
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