Se despedida tivesse gosto, qual teria a sua?
Seria tão amarga quanto fel, que mesmo depois de várias escovadas de dentes o sabor ainda persistiria? Ou seria salgada, que nem toda a água do mundo mataria a sede por ela provocada?
Seria levemente azeda, fazendo a azia das lembranças massacrar seu âmago ou tão doce que o enjôo na alma nunca passaria?
Despedida é sempre despedida... Independente do sabor que tenha naquele instante, estará acompanhada do dessabor e daquela incômoda sensação de estarmos deixando algo para trás, mesmo que momentaneamente, quando a expressão de casais apaixonados ou familiares chegados causa dó aos olhos dos transeuntes mais observadores...
"É isso aí, como a gente achou que ia ser, a vida tão simples é boa... Quase sempre..."
E esse quase que mata...
Esse comichão devora nossos sentidos, fazendo nossas pernas bambearem, os olhos marejarem, os dutos lacrimais transbordarem... Mesmo que um leve sorriso seja servido como acompanhamento. Despedida é isso mesmo: Arrasadora, impetuosa, malévola, um tsunami no imenso mar de sentimentos, que abala as estruturas e causa rachaduras... A inevitável força da natureza das defesas nadando contra a maré...
"Tchau, já deu minha hora e eu não posso ficar..."
"Bye, bye tristeza, não precisa voltar..."
Mas a despedida sempre fará parte de nossas vidas em algum momento. Crucial ou passageiro, despedida é despedida e não há nada que se possa fazer para impedí-la de parar na nossa estação, seguindo seu rumo misterioso em direção ao infinito...
MORAL DA HISTÓRIA: Não dê á sua despedida um sabor... Mostre ao sabor de sua alma o que a despedida realmente é... Amarga, salgada, azeda, doce... E passageira, como um trem que pára em cada estação e depois segue viagem...
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