domingo, 27 de março de 2011

O APEGO

Eu NUNCA fui uma garota apegada a bens materiais... Nunca me incomodei de não ter casa própria, carro, moto, celular caro, pois para mim, bastava funcionar, roupas caras, perfumes e cosméticos importados (mentira esses dois últimos, sou meio vaidosa, mas qual moça não é?), bicicleta, até porque nem sei andar de... rs Nem suspirei pelos namorados lindos, altos e sarados que minhas colegas de colégio arranjavam enquanto cabulavam aula e eu, NERD até o último fio de raiz de meus cabelos estudava sem descanso e as crucificava depois, fazendo sinal da cruz e tudo, no auge da minha peculiar tendência ao exagero. Vivi razoavelmente bem, desapegada a tudo que não fosse amizade, bate-papo com amigos, conversas na madrugada, minha família que eu amo muito e meu trabalho que como todo amante axigente, toma a maior parte de meu tempo e energia...
Mas eu cresci, fiz uma idade que não convém citar porque NÃO SE PERGUNTA A IDADE DE UMA DAMA recentemente e meu informatizado, antenado, cibernético e atualizado namorado me presenteou com um NETBOOK vermelho, minha cor favorita, moderníssimo, delicado, lindo e de última geração... A princípio eu olhei para o belíssimo trabalho de engenharia, nas linhas perfeitas, nos lindos botões e depois gritei feito uma louca (A tal tendência citada acima deve ser genética, pois nunca consegui me livrar dela), agarrei-o e agradeci... Teclei de tudo nele, baixei meus livros e passei boa parte de minha tarde de aniversário admirando meu mais novo "filhote", dormindo na madrugada com meu presente eletrônico na mesa de cabeceira...
Hoje, depois que eu fiz o almoço ( modéstia parte, eu cozinho bem), fui mexer no meu mais novo brinquedo... Aí percebi que faltava ALGO... Onde estavam minhas quase mil músicas, acumuladas em anos de pesquisas, separadas por pastas tipo NAMORAR, ESCREVER, LER, MOMENTO EMO??? Meu coração apertou-se no peito e eu olhei para o meu namorado, deitado ao lado, estudando no Notebook dele, alheio ao meu sofrimento...
- O que vou fazer agora? - Quis saber num fio de voz.
- Com o que? - Ele quis saber, sem desgrudar os olhos do trabalho da faculdade.
- Minhas músicas! - Eu gritei, como se ele tivesse acabado de me mandar ir para "aquele lugar".
- Passe para o Pen drive e depois a jogue no Net. - Ele respondeu como se eu tivesse acabado de perguntar as horas.
- Mas e as pastas que estão no Media Player, minha seleção ordenada cuidadosamente de acordo com cada minuto, cada suspiro, cada linha a ler?
- Refaça, ué. - Ele deu por encerrada a discussão e voltou ao mundo das leis e eu, fiquei ali, prostrada, o suor escorrendo no rosto porque estava um calor do C..., alternando meus olhos do Net para o Desktop, do Net para O Desk e depois de momentos intermináveis do mais puro dissabor, sabem o que eu percebi???
Que meu lindo, bem feito, moderníssimo e chiquerrésimo Netbook NÃO era meu Desk muito bom, preto básico e humilde, jogado num canto, desligado e ignorado por um fim de semana inteiro... E que pela primeira vez na vida, eu quebrei uma regra que adotei para minha vida: NÃO SUBESTIME O PODER DAS PESSOAS, POIS ELAS PODEM SURPREENDER. Epa... O Desk é uma máquina, certo?
Meu Desk está comigo a tempo suficiente para carregar cada foto, cada música, cada programa, cada trabalho escolar e até aqui no blog, para ser considerando somente uma máquina. E isso complica ainda mais a trama, porque se eu não sou apegada a bens materiais, porque estou escrevendo sobre isso?
Porque descobri que numa relação as circunstâncias são a parcela mínima das consequências, enquanto as AÇÕES decorridas durante...
Aí, vocês me perguntam: - Você ainda acha seu Netbook o máximo?
Eu respondo: - Claro, ele é a última palavra em informatização, mas meu Desk continua no lugar cativo de sempre em meu coração. E não, não vou transferir nada para ele, pois eu tenho que aprender a respeitar as diferenças das pessoas sem fazer distinção ás suas habilidades atuais ou falta delas, porque um dia, meu Desk também foi um Net... E assim como eu finalmente compreendi, o ciclo teve sua queda, como na Roda da vida da qual escrevi na virada de mais um ano.
- Ei, Mona, um computador é uma máquina e você escreveu "... respeitar as diferenças das pessoas..." acima.
Calma, eu explico... Meu Desk não é uma pessoa, mas guarda carinhosamente todos os risos, gargalhadas, lágrimas, frustrações e o mais importante de tudo: Um pedaço MUITO IMPORTANTE de minha alma nele. E ele ou outro objeto que eu vier a ganhar e me apaixonar, não o substituirá, apenas dará continuidade ao meu desenvolvimento emocional, espiritual e acima de tudo, humano.
Tenham uma excelente noite de Domingo.

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